Crises Nervosas (Meltdowns) na Minha Infância

 Eu fiz um artigo específico para algumas mães da minha localidade (Inglesas), que vou traduzir para português. 

Alguns membros do meu grupo local, pediram-me algumas dicas como lidar com os famosos colapsos/crises nervosas (meltdowns).

 Obviamente, não sou profissional e acredito que um bom programa de profissionais pode ajudar a identificar mais de perto as necessidades dos vossos filhos.  No entanto, posso compartilhar minha própria experiência.

𝗢 𝗾𝘂𝗲 𝗺𝗲 𝗹𝗲𝘃𝗮𝘃𝗮 𝗮𝗼𝘀 𝗺𝗲𝗹𝘁𝗱𝗼𝘄𝗻𝘀:

Imaginei que seria bom compartilhar com vocês algumas fotos e memórias de alguns momentos que eu nunca esquecerei. 

Na minha primeira foto, eu tinha uns 12/13 anos e era minha comunhão solene.  𝗣𝗼𝗿𝗾𝘂𝗲 𝗲𝘂 𝗲𝘀𝘁𝗮𝘃𝗮 𝗰𝗵𝗮𝘁𝗲𝗮𝗱𝗮?

-Muito barulhos.                                                             

-Muitos cheiros de comida forte ao meu redor.              

-Muitas gente                                                                  

-O facto de nunca ter gostado da igreja, porque obrigavam-me a ficar quieta (e olhem que hoje em dia sou crente)

Na segunda foto, eu tinha cerca de 5/6 anos de idade e ia passar o dia no parque.  𝗣𝗼𝗿𝗾𝘂𝗲 𝗲 𝗾𝘂𝗲 𝗲𝘂 𝗮𝗰𝗮𝗯𝗲𝗶 𝗽𝗼𝗿 𝘁𝗲𝗿 𝘂𝗺𝗮 𝗰𝗿𝗶𝘀𝗲 𝗻𝗲𝗿𝘃𝗼𝘀𝗮?

 -A minha mãe demorou muito tempo a aceitar que eu poderia vestir o meu vestido vermelho favorito.            

-Ela queria que eu sorri-se sempre para a foto.              

-Caçava o meu cabelo muitas vezes tão apertado, que acabava por me fazer doer a cabeça ou o pentear o cabelo                                                                             

-Sem paciência, queria que fosse tudo rápido, ao seu jeito

𝗢𝘂𝘁𝗿𝗼𝘀 𝗳𝗮𝗰𝘁𝗼𝗿𝗲𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗺𝗲 𝗹𝗲𝘃𝗮𝘃𝗮𝗺 𝗮𝘀 𝗰𝗿𝗶𝘀𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗰𝗼𝗹𝗮𝗽𝘀𝗼 𝗲 𝗺𝘂𝗶𝘁𝗮𝘀 𝘃𝗲𝘇𝗲𝘀 𝗮𝘁𝗲́ 𝗮 𝘂𝗺𝗮 𝗲𝘅𝗮𝘂𝘀𝘁𝗮̃𝗼 𝗮 𝗹𝗼𝗻𝗴𝗼 𝗽𝗿𝗮𝘇𝗼 (𝗯𝘂𝗿𝗻𝗼𝘂𝘁𝘀):

-Maioria das vezes as pessoas queriam me abraçar, dar beijinhos ou chegavam-se muito perto

- Bullying pelos meus colegas insinuando ser uma “deficiente” (sempre levei tudo muito a sério, não sorria, dentes grandes, gorda, não era engraçada, não entendia uma piada, não gostava de brincar com outras crianças porque pensava  que eram muito infantis e preferia ser rodeada pelas funcionárias da escola, ajudando na arrumação dos brinquedos e outras atividades / coisas ...)

-Distraia-me facilmente, era muito difícil concentrar-me quando estava cercada de ruídos (a outra criança batia em alguma coisa, o barulho da professora escrevendo com giz no quadro, etc)

 -Assustada, sempre tive medo do fracasso.
Tantos comentários desnecessários: 
“Não te comportes assim”, “Fique quieta, Rosa”, “Não podes ir a casa de banho”, “Para!”, “Não podes falar mais alto?”, “Podes parar com isso! ”,“ Não pode dizer asneiras! ”,“ Porque eu já falei! ”, Etc

-Sentimento de diferente e “ignorante”, é difícil para mim, mas a verdade é que muitas crianças são muito cruéis.  Era meu aniversário e lembro que uma vez, um menino disse-me para ir para detrás da escola, haveria uma “surpresa”, um presente para mim.  Ele realmente parecia animado, quando eu fui lá eles atiraram-me ovos. NOJENTO, senti-me tão miserável, nojenta, nunca mais quis voltar para a escola no meu aniversário.  Ainda hoje!  Eu não trabalho no meu aniversário!  Odeio, aquele suspense de surpresas! Não sei quando as pessoas estão a brincar ou a falar a sério

-O meu cabelo, todo santo dia era uma briga com minha mãe pra pentear meu cabelo!  Até ela o cortar mais curto

-Vestir, de novo todos os dias uma briga com minha mãe.  Ela queria que eu "parecesse bonita", mas eu queria algo confortável

-Expressão de sentimentos, ainda tenho dificuldade de expressar meus sentimentos e identificar o que me causa transtorno ou o que me faz sentir oprimida

-CALÇADO, calçado ainda um é um cenário horrível!  É extremamente complicado difícil encontrar um bom par, que me faça sentir confortável.  Tenho tendência a curvar os pés, acredito fortemente que é por isso e tenho dor e tenho pés cavos / arco.  Infelizmente eu ainda sofro com isso e ainda não encontrei um médico que me oferece-se suporte nisso

-Dor, a minha mãe sempre falava que eu era a menina “muito sensível” e “reclamava demais”.  Quando me tornei adulta, descobri que sofria de síndrome do túnel carpico, também tenho muitas dores nas costas e nas articulações.  Especialmente quando estou ansiosa.

-Mandona, já fui chamada muitas vezes de “mandona” porque seguia as regras / lei como é.  Além disso, eu queria conscientizar os outros de que o que eles estavam a fazer não era o certo.  O que gerava muitas vezes em problemas e conflitos

 -Promessas, “se passar ano te darei…”.  Ohhh sim, isso foi muito frustrante para mim! Viver com ansiedade em ouvir e esperar que esse momento acontecesse.  Talvez, muitas vezes tenha atingido a meta e por “dificuldades econômicas” não tenha recebido o tal prêmio.  NUNCA FAÇA ISSO, POR FAVOR!

- Amante da natureza, você sabe que a natureza é incrível é um bom motivo para nos perdermos.  Comentários como: “Vamos lá!”, “Não tenho tempo para isso”, etc. me levam a muitos meltdowns.


𝗘𝗻𝘁𝗮̃𝗼 𝗾𝘂𝗮𝗹 𝗲́ 𝗼 𝗺𝗲𝘂 𝗰𝗼𝗻𝘀𝗲𝗹𝗵𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗼𝘀 𝗽𝗮𝗶𝘀 𝗱𝗲 𝘂𝗺 𝗮𝘂𝘁𝗶𝘀𝘁𝗮? 

Obviamente, sempre temos horários. Por exemplo, quando estava a apreciar a natureza enquanto caminhava e queria parar…Tudo bem, pare um pouco, deixe o seu filho/a apreciar isso.  Por exemplo, leve uma folha com você e lembre-se de seu filho/a que tem escola.  Usando métodos de comunicação, envolvendo-se com eles:

“Achas que deveríamos levar uma folha para o teu professor/a?”
"Vamos guardar isso para depois da escola?"
"Wow, muito inteligente, vamos pesquisar qual é o nome disso mais tarde?"

𝗦𝗲 𝘀𝗶𝗺, então vamos!  Você ganhou.
𝗦𝗲 𝗻𝗮̃𝗼, “ok, 5m então vamos, ok?”, Continue tentando com gentileza.

𝗔𝗻𝗮𝗹𝗶𝘇𝗲 𝗲𝘀𝘁𝗮𝘀 𝗽𝗲𝗿𝗴𝘂𝗻𝘁𝗮𝘀 𝗲 𝗲𝘀𝗰𝗿𝗲𝘃𝗮 𝘀𝗲𝗺𝗽𝗿𝗲 𝗾𝘂𝗲 𝗼/𝗮 𝘀𝗲𝘂/𝘀𝘂𝗮 𝗳𝗶𝗹𝗵𝗼/𝗮 𝗳𝗶𝘇𝗲𝗿 𝘂𝗺 𝗺𝗲𝗹𝘁𝗱𝗼𝘄𝗻: 

Ele / ela está chorando, por quê?
O que aconteceu?
O que vai acontecer?
Está acontecendo alguma coisa na escola?
Ela / ele tem alguma reação sensorial?  Em caso afirmativo, como posso ajudar meu filho a lidar com isso?
Estou com pressa?
Ele / ela não entendeu bem o que vai acontecer?

Todos nós aprendemos todos os dias, NÃO SE SINTA CULPADA/O por não entender o seu/sua filho/a!  
Tudo bem, agora tenho certeza de que minha mãe deu o melhor que pôde.  No entanto, ninguém a sobe alertar  sobre autismo ou como lidar com certos distúrbios. Eu gostaria que fosse esse o único problema que tenho com minha mãe.  Seja paciente, é um processo.  O fato do seu filho não poder fazer algo não significa que ele nunca será capaz de fazer.  Seja solidária/o e ajude-o/a da melhor maneira possível.

Os pais existem para proteger as suas crianças, essa é a sua obrigação.  Proteger o seu filho de qualquer risco e cuidar de si, porque quando a sua saúde mental está bem, tudo corre com muita mais facilidade e tranquilidade. Acredite em mim, eu sei que é difícil!  Eu mesma tenho 2 filhas.

 Muitas vezes, quando estamos de baixo-astral ou estressadas, levamos a conflitos e incompreensões.

𝗕𝗿𝗶𝗻𝗾𝘂𝗲, 𝗲𝘅𝗽𝗹𝗼𝗿𝗲 𝘁𝘂𝗱𝗼 𝗰𝗼𝗺 𝗼 𝘀𝗲𝘂/𝘀𝘂𝗮 𝗳𝗶𝗹𝗵𝗼/𝗮:
Actividades que me ajudavam a relaxar: 

-🛁Bolas de sabão  
-🏃‍♀️Correr
-🤸🏼‍♂️Saltar 
- 🐕 🐈 Animais 
- 🐌 Corrida de caracóis
- 🍁 Pegar folhas e observá-las 
- 🌊 Vida marinha
- 🐚 🪨 coletar coisas interessantes (conchas, pedras, etc) e aprender sobre isso
- ☁️ O que você pode ver pelas nuvens?  (Deixe-os trabalhar a imaginação)
- 🌸 Caçar ou observar a natureza
- 🌳 Observar o vento, movendo das folhas / árvores

𝗣𝗮𝗿𝗮 𝗮𝗱𝘂𝗹𝘁𝗼𝘀, 𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗺𝗲 𝗮𝗷𝘂𝗱𝗮 𝗻𝗼𝘀 𝗱𝗶𝗮𝘀 𝗱𝗲 𝗵𝗼𝗷𝗲? 
-Meu hiperfoco me ajuda a relaxar
-Animais, ainda sou um amante deles
-Brinquedos sensoriais
-Estimulação
-Tapping
-Brincar com as minhas filhas 
-Ter um bom dia fora de casa(para a praia ou qualquer outro relacionado com a natureza)
-Ter uma boa noite de sono
-Fazer exercicios

𝗘𝘀𝗽𝗲𝗿𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗶𝘀𝘁𝗼 𝗮𝗷𝘂𝗱𝗲-𝗼/𝗮 𝗲 𝗮 𝗲𝗻𝘁𝗲𝗻𝗱𝗲𝗿 𝗺𝗲𝗹𝗵𝗼𝗿 𝗮 𝘀𝘂𝗮 𝗰𝗿𝗶𝗮𝗻𝗰𝗮. 
Se precisar de mais informações, não hesite em contactar-me ou deixar os seus comentários.

 🙇🏼‍♀️ Obrigado pela leitura e minhas desculpas se eu escrever algum erro de gramática (até em português, eu acho que tenho dislexia ou qualquer outro problema que me gera algumas dificuldades de expressão) 

Comments